É incrível como o tempo passa e a história se repete, já faz quase vinte anos que eu acompanho a imprensa e com especial interesse pelas matérias ligadas aos taxistas de São Paulo. E sempre estamos com a mesma cantilena, de certo modo dá pra entender, afinal jornalistas pertencem a uma parte da sociedade que sabe valorizar o conforto que representa o taxi e ao mesmo tempo, como todos nós, sempre estamos pleiteando os melhores serviços pelo menor preço.Quem sabe chegamos, também neste aspecto, a um ponto de inflexão.
Está claro que não se pode esperar que a mudança venha da classe jornalística, afinal eles estão como todos nós , aprisionados em uma visão de sociedade que nos divide em duas categorias simples, mas que carregam em seu interior um antagonismo insuperável. Ou seja estamos divididos em Consumidores e Investidores. Como consumidores queremos sempre o melhor pelo menor custo e como investidores os mais altos juros que se possa conseguir. No caso, os consumidores do serviço de taxis simplesmente fazem o que fazemos todos quando vamos a feira e pechinchamos pelo preço das verduras ou dos legumes. Não sei quem e nem quando foi, que nos meteram esse chip na cabeça, o único que sei é que devemos tentar nos livrar dele.
Em matéria da Veja SP de 20 de Abril, ¨taxistas cobram taxa de chamada e agendamento¨, a jornalista utiliza a retórica de consumidor e produto esquecendo-se que, pra que este consumidor em especial possa ter acesso a este produto, o taxista de qualquer cooperativa é acionado com até uma hora de antecedência pra atender um agendamento. Com certeza este consumidor deve conhecer a máxima: Tempo é Dinheiro, e sem dúvida que concorda com ela. Além do mais só pra dar uma informação, em alguns agendamentos essa hora de antecedência é usada pra chegar até o endereço do consumidor que pode estar a vários quilometros de onde sai o taxista. Entendo que a jornalista não saiba disso e que, como escreve majoritariamente pra consumidores, tão pouco tem interesse em buscar esses dados. Com a taxa de chamada acontece algo parecido, quando éramos todos taxistas de rua e as cooperativas eram duas en toda São Paulo e alguém precisava de um taxi tinha que ir pra rua principal do bairro e dar sinal pro primeiro que aparecesse, podia ser um Opala ou um Fiat 147 e todos contentes. Hoje somos todos modernos e sabidos , conhecedores e merecedores do máximo conforto, queremos um taxi grande, com ar-condicionado e que nos dias de chuva nos recolha na garagem do prédio e tudo isso a troco de nada.
O mais lamentável é ,que os que nos deveriam defender não o fazem, presidente de sindicato, presidentes de cooperativas não são capazes de articular uma resposta pra que se modifique o modo de pensar, ou seja, esta na hora das pressões acontecerem ao revés. Ao invés de pressionarmos um trabalhador pra que faça mais por menos, deveriam os consumidores pressionar seus superiores pra que lhes paguem o que merecem, pra que eles possam ter mais qualidade de vida e a partir daí distribuir riqueza, fazendo girar a economia.
A matéria da Veja SP segue, mas pra que esta entrada não se torne cansativa fico por aqui, volto em uma próxima entrada pra concluir. Saúde e sorte a todos. Sidney.
domingo, 24 de abril de 2011
martes, 19 de abril de 2011
BUSCANDO UM RUMO
Incrível mundo este dos blogs, pra ser sincero estou totalmente perdido. Ontem a noite buscando sem rumo pela rede dei de cara com um tal blog da cidadania, de um pessoal que se intitula blogueiros progressistas.
Causou-me uma certa estranhesa que alguém ou alguns possam apropriar-se de condições ou características, que jamais poderiam estar restritas a um grupo. Pelo que pude ler das postagens e dos comentarios, estão todos alinhados com um certo pensamento político, portanto eu deveria concluir que os cidadãos que são progressistas estão todos ali e que o restante que não comunga com as idéias que esses cidadãos expõem,ou não são progressistas ou pior, não são cidadãos.
Deixei ali um comentário light, algo parecido com um monge aposentado tentando encaminhar essa gente boa pelo caminho do budismo , que aprendi lendo as orelhas dos livros do Dalai. Fui solenemente ignorado como era de esperar, de todos os modos seguirei minha busca na tentativa de dar um rumo pra este meu triste blog.
Também estive xeretando no blog anareczek.blogspot.com e como nova paulistana ela se sai de maravilha, dá dicas pra os que queiram aventurar-se pela cidade e sacou umas fotos pra lá de boas das estações de trem da marginal pinheiros. Seria ela cidadã? Eu creio que sim e não me importa quais sejam seus pensamentos pois essa condição nos é inerente a todos.
Fica pendente o rumo que vou dar ao meu blog, só agora me dou conta da defasagem que trago, pois sou produto de um tempo e quem sabe estou fossilizado e não me dei conta ainda. Espero que não.
Causou-me uma certa estranhesa que alguém ou alguns possam apropriar-se de condições ou características, que jamais poderiam estar restritas a um grupo. Pelo que pude ler das postagens e dos comentarios, estão todos alinhados com um certo pensamento político, portanto eu deveria concluir que os cidadãos que são progressistas estão todos ali e que o restante que não comunga com as idéias que esses cidadãos expõem,ou não são progressistas ou pior, não são cidadãos.
Deixei ali um comentário light, algo parecido com um monge aposentado tentando encaminhar essa gente boa pelo caminho do budismo , que aprendi lendo as orelhas dos livros do Dalai. Fui solenemente ignorado como era de esperar, de todos os modos seguirei minha busca na tentativa de dar um rumo pra este meu triste blog.
Também estive xeretando no blog anareczek.blogspot.com e como nova paulistana ela se sai de maravilha, dá dicas pra os que queiram aventurar-se pela cidade e sacou umas fotos pra lá de boas das estações de trem da marginal pinheiros. Seria ela cidadã? Eu creio que sim e não me importa quais sejam seus pensamentos pois essa condição nos é inerente a todos.
Fica pendente o rumo que vou dar ao meu blog, só agora me dou conta da defasagem que trago, pois sou produto de um tempo e quem sabe estou fossilizado e não me dei conta ainda. Espero que não.
domingo, 10 de abril de 2011
UM SONHO
Não é mais que uma sombra, seguramente estou dormindo e isso é um sonho.Tenho certeza que essa sensação já deve ter ocorrido a qualquer um de voces. Faz parte da gente, vem junto com a codificação dos genes.Não, eu não estou louco ou alucinando.Me levanto e fico uns minutos sentado na beira da cama, faz um pouco de frio, mas estou suando.Já sei, é o começo de uma gripe; tomo uma aspirina e volto pra cama.
Hesito um pouco em fechar os olhos, confesso que tenho medo.Medo de algo que não é mais que uma sombra.Bem, todos sabemos que a sombra se produz pelo efeito da luz em algo sólido, real, daí que temo a essa sombra.
Não quero dormir, não quero fechar os olhos, mas o dia foi largo, um desses dias que só de vez em quando acontecem; dez horas de trabalho, um montão de corridas e nenhum problema.Só isso já deveria valer uma noite de sono bem dormida.Tento pensar meu dia, refazê-lo desde seu principio só pra enganar o sono.Mas, como era de se esperar perco a batalha e num instante me vejo no alto de uma montanha, é um fin de tarde, ainda dá pra ver o sol se pondo, sobre uma rocha ovalada há um homem sentado que comtempla o lento e luminoso poente.
Caminho em sua direção, mas estranho, não me aproximo. Peço ajuda baixinho não sei bem porque , quando surge ao meu lado um homem que me estende a mão. Já não sou adulto, sou o menino que fui e me socorro dessa mão caridosa. Dá pra sentir os calos de uma mão de trabalhador, tento ver seu rosto, mas não consigo. Penso em umas mãos parecidas que conheci faz muitos anos.
De novo me encontro sozinho e o por do sol parece ir em marcha lenta, diante de mim se abre um caminho uma estreita alameda que leva ao homem da rocha. Ele segue ali impassível como a esperar por mim, dessa vez saio correndo, mas afobado que sempre fui, tropeço em meus passos de menino e caio sem avançar um metro sequer.Choro, choro e choro e do nada outra vez surgem aquelas mãos rudes que me secam as lágrimas,sinto seus calos como carícias e seus dedos por entre meus cabelos.Me recomponho pra agradecer-lhe a atitude, não lhe vejo o rosto e quando tento falar não consigo. Será possível que não vou conseguir agradecer a esse homem o imenso conforto que ele me esta dando nesse sonho tão intenso?Pois é , ele já desapareceu outra vez.
Me sinto cansado e me deixo cair sobre o gramado que tenho ao meu redor, um estranho e familiar gramado, como o de minha casa na infância.Mas já não sou mais o menino, agora sou eu e minha rugas, meu pouco cabelo e meu corpo cansado. Cansado e triste, triste como seus olhos naquele dia. Tantos anos vivendo juntos e só agora me dou conta de que jamais tivemos uma troca direta de olhares, de palavras nem digo,pois parecem ainda mais difíceis. Mas naquele dia, naquele instante nossos olhres se encontraram.
Passava da meia-noite e o Pronto Socorro estava lotado, ele seria levado até a ambulância pra buscar um hospital com um leito vago, foi nesse trajeto que nos cruzamos, ele numa cadeira de rodas e eu aturdido e incapaz, ele chorava e seu olhar me pedia algo, seu último olhar , meu único olhar.
Agora o homem da pedra se levanta e vem em minha direção, conheço esse andar e agora advinho sua figura. Ele me abraça forte, como nunca nos abraçamos, penso dizer-lhe algo, mas não consigo. Sinto como se devesse lhe pedir desculpas, mas ele me sorri e se fasta, antes de desaparecer se volta e me acena. Tchau pai, um dia a gente se vê.
Hesito um pouco em fechar os olhos, confesso que tenho medo.Medo de algo que não é mais que uma sombra.Bem, todos sabemos que a sombra se produz pelo efeito da luz em algo sólido, real, daí que temo a essa sombra.
Não quero dormir, não quero fechar os olhos, mas o dia foi largo, um desses dias que só de vez em quando acontecem; dez horas de trabalho, um montão de corridas e nenhum problema.Só isso já deveria valer uma noite de sono bem dormida.Tento pensar meu dia, refazê-lo desde seu principio só pra enganar o sono.Mas, como era de se esperar perco a batalha e num instante me vejo no alto de uma montanha, é um fin de tarde, ainda dá pra ver o sol se pondo, sobre uma rocha ovalada há um homem sentado que comtempla o lento e luminoso poente.
Caminho em sua direção, mas estranho, não me aproximo. Peço ajuda baixinho não sei bem porque , quando surge ao meu lado um homem que me estende a mão. Já não sou adulto, sou o menino que fui e me socorro dessa mão caridosa. Dá pra sentir os calos de uma mão de trabalhador, tento ver seu rosto, mas não consigo. Penso em umas mãos parecidas que conheci faz muitos anos.
De novo me encontro sozinho e o por do sol parece ir em marcha lenta, diante de mim se abre um caminho uma estreita alameda que leva ao homem da rocha. Ele segue ali impassível como a esperar por mim, dessa vez saio correndo, mas afobado que sempre fui, tropeço em meus passos de menino e caio sem avançar um metro sequer.Choro, choro e choro e do nada outra vez surgem aquelas mãos rudes que me secam as lágrimas,sinto seus calos como carícias e seus dedos por entre meus cabelos.Me recomponho pra agradecer-lhe a atitude, não lhe vejo o rosto e quando tento falar não consigo. Será possível que não vou conseguir agradecer a esse homem o imenso conforto que ele me esta dando nesse sonho tão intenso?Pois é , ele já desapareceu outra vez.
Me sinto cansado e me deixo cair sobre o gramado que tenho ao meu redor, um estranho e familiar gramado, como o de minha casa na infância.Mas já não sou mais o menino, agora sou eu e minha rugas, meu pouco cabelo e meu corpo cansado. Cansado e triste, triste como seus olhos naquele dia. Tantos anos vivendo juntos e só agora me dou conta de que jamais tivemos uma troca direta de olhares, de palavras nem digo,pois parecem ainda mais difíceis. Mas naquele dia, naquele instante nossos olhres se encontraram.
Passava da meia-noite e o Pronto Socorro estava lotado, ele seria levado até a ambulância pra buscar um hospital com um leito vago, foi nesse trajeto que nos cruzamos, ele numa cadeira de rodas e eu aturdido e incapaz, ele chorava e seu olhar me pedia algo, seu último olhar , meu único olhar.
Agora o homem da pedra se levanta e vem em minha direção, conheço esse andar e agora advinho sua figura. Ele me abraça forte, como nunca nos abraçamos, penso dizer-lhe algo, mas não consigo. Sinto como se devesse lhe pedir desculpas, mas ele me sorri e se fasta, antes de desaparecer se volta e me acena. Tchau pai, um dia a gente se vê.
Suscribirse a:
Entradas (Atom)