O restante da reportagen da Veja SP se dedica a comparar o valor das tarifas e o número de taxis de São Paulo , que ela julga insuficientes para o número crescente de habitantes usuários deste serviço. Estas comparações sempre me deixaram confusos, então resolvi buscar mais informação sobre a quantidade de taxis em outras cidades do mundo que aparecem na reportagem.
NOVA YORK- 8.200.000 hab. - 13.200 taxis
PARIS -11.000.000 hab - 15.500 taxis
SÃO PAULO -11.000.000 hab - 33.000 taxis
Não é necessário que pesquisemos muito pra saber que tanto a renda per capita como a quantidade de turistas que visitam a estas cidades são muitas vezez superior aos de São Paulo. Isso nos leva a pensar que os administradores destas cidades cuidam pra que o ganho de seus taxistas se mantenham em um patamar , ou seja, pra que haja um equilíbrio entre oferta e procura. Pra que taxistas também possam usufruir de uma condição de vida que lhes permita, entre outras coisas , educar seus filhos, ir ao cinema ou comer fora de vez em quando, enfim gerar riqueza distribuindo a renda entre outros trabalhadores. Com os números acima fica evidente que o controle do valor da tarifa não se faz aumentando o número de taxis , mas aumentando o número de usuários que um taxista atende por dia. Esta verdade econômica parece ser clara em toda atividade, menos para os taxistas.
Por outro lado a reportagem fala de um aumento de pessoas que podem andar de taxi. Como este é um dado muito difícil de contrastar resolvi buscar na minha experiência de ex-taxista. Quando o passageiro era de fora do país uma das perguntas que ele fazia era sobre o preço dos carros. Eu jamais entendi porque isso era relevante, mas agora me dei conta que isto pode ser esclarecedor. Escolhi um carro que aqui na Europa faz muito sucesso e que recentemente foi lançado aí no Brasil, o Novo Fiesta. É exatamente o mesmo carro que temos aqui com pequenas diferenças de motor.
Este carro é vendido aqui por 10.000 Euros nas ofertas das concessionárias, no site da Quatro Rodas encontrei o mesmo carro por 49.900 Reais ou 21.400 Euros. Levando em conta que o salário médio aqui na Espanha é de 1.000 Euros, este carro vale dez salários. Como faz cinco anos que estou fora e a reportagem diz que o número de potenciais clientes de taxi subiu em 2010 um vinte por cento a ponto de , mesmo tendo o dobro de taxis que Paris, necessitar mais pra suprir a demanda , eu poderia crer que os cidadãos paulistanos também podem comprar um Fiesta com dez salários, em outras palavras que o salário médio aí é de 2.140 Euros ou 4.990 Reais. Pois se isto é assim, minhas desculpas a todos e parabéns a Veja SP pela matéria tão esclarecedora.
Se por casualidade eu estou correto em minhas afirmações, mais valeria a Veja SP munir-se de melhores dados da próxima vez , não ficar repetindo a mesma matéria requentada e buscar desmascarar a imensa disparidade de preços que há em mercados mais poderosos e melhor defendidos que o dos taxistas.
Muita sorte e saúde a todos. Sidney.